São F. do Conde: Audiência pública discute situação da Unilab

Foto: Divulgação- PM-SFC

A situação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), campus dos Malês, em São Francisco do Conde, na região metropolitana de Salvador, foi discutida uma audiência pública, realizada nessa quinta-feira (13) na Câmara de Vereadores. Entre as pautas de discussões, estão a mudança da universidade em um campus da Universidade Federal da Bahia (UFBA) ou da Universidade Federal do Recôncavo (UFRB).

De acordo com diretora do Campus Malês, Míriam Rios, “a UNILAB foi criada em 2010, como resultado de lutas e de sonhos, de resistência e de esperança. Em 2014 o nosso campus foi inaugurado. A UNILAB na Bahia é uma conquista de muitas pessoas, algumas que infelizmente já nos deixaram e de outras tantas que seguem firmes conosco, companheiros e companheiras de luta”.

“Nós, malês, sabemos o que é defender o pensamento científico que rasura as epistemologias hedônicas, sabemos o que é fazer uma prática acadêmica que traz a frente a revisão histórica de injustiça e desigualdades. Estudantes, técnicos, docentes e servidores terceirizados, todos nós sabemos o que é enfrentar a precariedade de condições estruturais do trabalho, vai precisar mais do que uma ação autoritária para minar as nossas forças. Eu nunca ouvi falar em uma universidade brasileira que fosse formada por turmas majoritariamente negras, e, nós, do Campus Malês, fazemos isso e eu sinto orgulho de participar do processo de inclusão social a todo momento”, ressaltou.

Estudantes, docentes, técnicos, servidores terceirizados e a sociedade em geral lotaram o plenário para mostrar a força, o trabalho e a luta do Campus Malês. O evento também reuniu secretários e vereadores municipais, dentre outras autoridades.

“Tenho 30 anos fora dos estudos, vou fazer 63 anos e, para mim, o estudo deixou de ser brincadeira, hoje sou uma negra de erguida graças a UNILAB, coisa que a um tempo atrás não sabia o que era isso. Hoje sei de todos os meus direitos, bem como os meus deveres. Quero agradecer primeiramente a Deus, a minha professora Elísia, aos meus professores, Paulo, Fábio e Ismael. Eu não sabia nem mais interpretar um texto, não tinha noção. E quando eu me vi na faculdade deixando meus professores todos de cabeça quente porque achava que não iria conseguir, eles me acalmavam e mostravam toda paciência”, declarou a líder quilombola de Dom João, Joselita Gonçalves.

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