‘Por estar escondida, a próstata precisa de um cuidado maior’, diz oncologista

Baiana FM _ Nailan Brasil

A campanha Novembro Azul chama atenção dos homens acima dos 50 anos para os riscos do câncer de próstata. Os exames de dosagem sérica do PSA (Antígeno Prostático Específico) e do toque digital retal são realizados para investigação da doença, mas o preconceito e a desinformação são situações que afastam os pacientes do urologista, médico especialista para consulta e orientação desse público. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), a doença foi a que mais cresceu em 2018 entre pessoas do sexo masculino, e mais de 68 mil brasileiros devem terminar o ano com o câncer.

O médico oncologista Augusto Mota, entrevistado no programa Fala Comigo desta segunda-feira (12), trata de pacientes que já tiveram a doença diagnosticada e alerta para a importância da observação da próstata. “Pelo fato de a próstata ser um órgão silencioso, fica em baixo da bexiga e na frente do reto, precisa de um cuidado maior. Até porque este tipo de câncer, que é o mais comum entre os homens, pode ser disseminado para outros lugares”, disse.

De acordo com o médico, a idade é o maior fator de propensão para o desenvolvimento do tumor. “Vários estudos foram feitos para comprovar essa certeza, de que os homens com idade acima dos 50 anos tinham uma chance maior de ter o câncer de próstata, uma predisposição. A próstata passa por transformações ao longo da vida que culmina no aparecimento das células tumorais. Porém, para quem tem algum histórico na família, esse cuidado deve ser iniciado precocemente’’, explica.

Ainda há casos em que o câncer é diagnosticado, mas não há necessidade de tratamento, segundo o dr. Mota. “Quando o médico avalia que o paciente tem um ‘tumor indolente’, ou seja, tem característica de crescimento muito lento e de baixo risco, evita-se o tratamento, que pode trazer efeitos colaterais como incontinência urinária e a disfunção erétil’’. Nesse caso, a equipe médica segue com o protocolo de vigilância ativa, quando o paciente é observado com freqüência e segurança. O oncologista conta que esta é uma terapia feita no mundo inteiro, mas o paciente deve seguir bem orientado pelo seu médico.

Estágios e Cirurgia

Quando o câncer é diagnosticado, é feito, em seguida, um exame de imagem para perceber a extensão real do tumor. Dr. Augusto especifica que os tamanhos e a extensão dos tumores configuram os quatro estágios da doença. “Os tumores em uma metade da próstata é o de número 1, o mais precoce; nas duas metades, número 2; quando o câncer já toca na cápsula prostática e nos órgãos próximos, é o de número 3; e aqueles em que as células já escaparam da próstata para outros órgãos como osso ou fígado, é o estágio 4”, esclarece.

A cirurgia é indicada para pacientes com câncer no estágio 1 e 2, e, em alguns pacientes, no estágio 3. “Nós evitamos fazer a cirurgia para os pacientes com câncer no estágio 4, mas tratamos com medicamentos para que ele possa ter uma melhor condição de vida. É por isso que alertamos aos pacientes de fazerem os exames de detecção, o quanto antes, para evitar que o câncer possa atingir outros órgãos e para que o tratamento seja menos doloroso”, enfatiza.

O médico lembra da saúde do homem como um todo e chama atenção para sintomas como testículo aumentado ou doloroso ou alguma lesão e ferida no pênis, que são parecidos aos de cânceres nesses órgãos e que devem ser mostrados ao médico.

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