Palocci diz a Moro que Lula sabia de esquemas de corrupção

Com informações do A Tarde ( Foto: Reprodução)

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O ex-ministro Antônio Palocci incriminou, nesta quarta-feira, 6, o ex-presidente Lula em depoimento realizado em Curitiba (PR). Segundo Palocci, as obras de construção das sondas que explorariam o Pré-sal em meados de 2010, resultaram em dinheiro que pagou a campanha da ex-presidente Dilma Rousseff (assista a vídeos abaixo).

“Eu reuni vocês aqui [na biblioteca do palácio do Planalto] porque quero que o José Sergio Gabrielli faça as sondas pensando nesse projeto para o futuro”, teria dito Lula em uma reunião com o então deputado Palocci, Dilma Rousseff e o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli. “Ele encomendou ao Gabrielli que através das sondas se pagasse a campanha da Dilma”, emendou o ex-ministro.

Em mais um depoimento que coloca Lula como beneficiário de dinheiro de corrupção, Palocci afirmou ao juiz da Terceira Vara Federal, Sergio Moro, que o ex-presidente recebeu R$ 4 milhões em dinheiro pago por Emílio Odebrecht em encontro reservado, além de ter a reforma do sítio de Atibaia garantida e também a compra do terreno que seria a futura sede do Instituto Lula e mais R$ 300 milhões de vantagens compartilhadas com o Partido dos Trabalhadores. Os ativos e o dinheiro seriam uma gratidão da Odebrecht pelos contratos viabilizados pelo governo federal em estatais como a Petrobras.

Segundo Palocci, João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT que está preso, percorria as estatais e construtoras para recolher o dinheiro acordado que era destinado à corrupção.

O ex-ministro disse também em depoimento que Lula sabia de todo o arranjo para a compra do apartamento vizinho ao dele em São Bernardo do Campo, onde a Polícia Federal encontrou documentos relativos a compra de imóveis comprometendo Lula. O valor de R$ 540 mil foi pago por Glaucos da Costamarques, primo de José Carlos Bumlai, que supostamente seria uma laranja do esquema. Lula tinha conhecimento dos detalhes desse processo, segundo o ex-ministro, que por sua vez admitiu desconhecer detalhes desse pagamento.

Entre outros detalhes, Palocci citou diversas reuniões com outros líderes petistas e o ex-presidente onde assuntos ilícitos foram demitidos. O Instituto Lula disse que Palocci “não tem compromisso com a verdade” a validar a denúncia do Ministério Público mas não deu mais detalhes sobre o assunto em uma curta nota enviada à imprensa.

Delação premiada

Antonio Palocci recebeu em julho a condenação da Justiça Federal de 12 anos de prisão e está preso desde setembro do ano passado, na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba. Segundo a Justiça Federal, ele teria repassado US$ 10,2 milhões da Odebrecht a João Santana, além de ter viabilizado desembolsos de R$ 133 milhões (em um saldo total de R$ 200 milhões) entre 2008 e 2014. A negociação de delação premiada ainda requer homologação da Justiça, mas esse depoimento com detalhes do pagamento que rastreia a origem e destinação do dinheiro pode ser crucial no processo.

Sobre o processo de corrupção na Petrobras, Palocci deixou claro que José Sérgio Gabrielli se mostrou “constrangido” com a ordem do presidente de destinar parte dos contratos com a Petrobras para pagar a campanha de Dilma Rousseff. “Após a terceira reunião com ele [Gabrielli], ele deixou claro que não ia fazer parte disso”, explicou.

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