O segundo volume da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na manhã desta terça-feira (2), mostra que 10,6% da população brasileira adulta (15,5 milhões de pessoas) já se sentiram discriminadas na rede de saúde (pública ou privada).
A maioria disse ter sido tratada de forma diferenciada por motivos de natureza econômica: 53,9% em função da falta de dinheiro, e 52,5% em razão da classe social. Esse é o caso da universitária Kelly Mantovani, 21, que perdeu o pai no último dia 20 de maio –ele ficou internado durante 18 dias por conta de um câncer no intestino, em São Paulo, mas não resistiu à doença.
Segundo ela, a unidade de saúde não cuidou devidamente do paciente, pois o seu plano de saúde era “mais simples”. “A gente tinha que ficar cobrando os exames e fiscalizando para que ele tomasse os remédios. Eles trataram com pouco caso só porque o nosso plano de saúde é mais simples. A internação dele só foi confirmada depois que a gente pressionou e ameaçou levar para a imprensa.”
De acordo com a metodologia utilizada pelo IBGE, os entrevistados poderiam assinalar mais de um motivo para justificar a razão pela qual se sentiram discriminados. Pouco mais de 13% afirmaram que haviam sido vítimas de preconceito racial, e 8,1% responderam religião ou crença. Apenas 1,7% relataram que foram vítimas de homofobia. Os entrevistadores do IBGE estiveram em pouco mais de 80 mil domicílios. O Brasil possui, segundo o IBGE, cerca de 65 milhões de residências.
Intervalo de confiança
Por ser uma pesquisa por amostra, as variáveis divulgadas pela PNS estão dentro de um intervalo numérico, que é o chamado “erro amostral”. Não há uma margem de erro específica para toda a amostra. Para cada caso, é calculado o intervalo de confiança. “Isso quer dizer que, em 95% das vezes que eu pegar uma amostra e calcular o indicador, ele estará dentro daquele intervalo. (…) Quanto menor o intervalo de confiança, melhor é”, explicou Maria Lúcia Vieira, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.
Diferentemente das pesquisas eleitorais, que têm apenas um indicador em destaque (a intenção de votos de determinado candidato), a PNS tem vários indicadores e o valor de cada um deles oscila dentro do seu intervalo específico.
Com informações do UOL
