O superintendente do Cade, (Conselho Administrativo de Defesa Econômica, órgão antitruste do país), Eduardo Frade Rodrigues, afirma que as investigações sobre o cartel de trens em São Paulo apontam indícios para acordos entre empresas também em outros Estados.
“O acordo de leniência nos trouxe indícios em dois Estados, e durante a investigação fomos colhendo indícios de que isso teria ocorrido em outros Estados também”, afirmou Rodrigues em entrevista à Folha.
Ele nega que haja pressão para que haja celeridade maior neste caso, que envolve a gestão do PSDB em São Paulo, ou no do cartel da Petrobras, que envolve a gestão do PT no governo federal.
“Para nós não faz a menor diferença qual governo estava envolvido. E nem poderia ser diferente, porque isso sequer tangencia a análise que é feita aqui. Nossa análise é bastante técnica”, afirma.
Rodrigues foi nomeado na semana passada pela presidente Dilma Rousseff para comandar por dois anos a área responsável pelas investigações de cartel e pela formulação dos pareceres que subsidiam a decisão do tribunal do órgão em fusões e aquisições.
Nas mãos de sua equipe estão dois dos casos mais importantes que já passaram pelo Cade: a apuração sobre o cartel de empreiteiras na Petrobras e o de licitações públicas para construção de linhas de trens e metrô.
Nesta entrevista, Rodrigues atesta que o cartel na estatal do petróleo é um fato e diz que a intenção da superintendência é, até o final deste ano, instaurar formalmente o processo administrativo no caso do cartel da Petrobras. Após o procedimento, será produzido o pedido de condenação das empresas participantes do conluio.
Duas empresas do Setal confessaram sua participação no esquema ao firmar acordo de colaboração com o Cade em março deste ano. Elas indicaram que outras 22 companhias participaram do cartel, entre elas as empreiteiras Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez.
Sobre o cartel dos trens, diz que estão em uma fase de de produção de provas. “É difícil prever o quanto vai durar essa fase. O que posso dizer é que é um caso muito importante para a superintendência.”
Com informações da Folha de São Paulo