O dólar segue em queda firme contra o real nesta segunda-feira, influenciado pela ação sobretudo de estrangeiros, que refletem na moeda americana a melhora do sentimento externo.
Divisas emergentes ou correlacionadas às commodities, como o peso mexicano e o dólar australiano, ganham força, ainda amparadas por medidas de afrouxamento monetário na China na semana passada e também pela esperança de mais estímulos na Europa – medidas que poderiam ampliar a liquidez e gerar fluxos para mercados emergentes.
“A trégua de notícias negativas do lado político junto com o cenário externo ajuda nessa queda do dólar, mas nada que pareça muito sustentável”, pondera o diretor de câmbio da Intercam Corretora, Jaime Ferreira.
Nesta semana mais especificamente, os mercados de câmbio e juros no Brasil também devem ser influenciados por questões técnicas, especialmente no caso do câmbio, na semana de formação da Ptax de fechamento do mês. A Ptax é a taxa de câmbio que liquida operações com uma série de derivativos, o que ajuda a explicar o acirramento da “disputa” no fim do mês por uma cotação mais conveniente a operações de agentes de mercado.
Às 11h26, o dólar comercial recuava 0,80%, para R$ 3,8585. O dólar para novembro cedia 0,72%, a R$ 3,8630.
A queda do dólar ajuda a reduzir os prêmios de risco na curva de juros futuros, mas as taxas ainda oscilam em níveis considerados muito altos, compatíveis com um cenário de desconfiança. Hoje, o Tesouro Nacional reportou que o estoque da Dívida Pública Federal (DPF) atingiu em setembro R$ 2,734 trilhões, em alta de 1,8% ante agosto, com alta no custo médio da dívida. Em mais uma evidência dos impactos negativos da crise política, o próprio Tesouro avalia que o aumento do custo da dívida teve como motivo instabilidade no quadro fiscal e fatores “não econômicos”.
As perspectivas para as contas fiscais ainda impedem um aumento da confiança entre agentes de mercado, que digerem informações de que o déficit primário neste ano pode chegar a R$ 70 bilhões. Em um dia de agenda leve aqui e lá fora, deve predominar o clima de expectativa pela oficialização do déficit nesse valor, o que pode ocorrer ainda nesta semana, que também reserva a divulgação dos números fiscais do Governo Central de setembro.
O DI janeiro de 2016 cedia a 14,231% ao ano, ante 14,263% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2017 caía para 15,330%, contra 15,350% no último ajuste.
O DI janeiro de 2018 recuava a 15,830%, ante 15,870% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2021 caía a 15,910%, frente a 15,960% no último ajuste.
Com informações VALOR Online