Propina de R$ 50 mi abasteceu campanha de Lula, afirma Cerveró

Em documentação entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR), anterior ao acerto de sua delação premiada, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, afirmou que a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, recebeu R$ 50 milhões em propina. O dinheiro teria saído de uma negociação para a compra de US$ 300 milhões em blocos de petróleo na África em 2005. As informações foram divulgadas nessa segunda-feira (18), pelo jornal Valor Econômico.

Cerveró atribui a informação a Manuel Domingos Vicente, que presidiu o Conselho de Administração da Sonangol, estatal petrolífera angolana. “Manoel (sic) Vicente foi explícito em afirmar que desses US$ 300 milhões pagos pela Petrobras a Sonangol, companhia estatal de petróleo de Angola, retornaram ao Brasil como propina para financiamento da campanha presidencial do PT valores entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões.”

O Instituto Lula informou que “não comentaria supostas delações, quanto mais supostos acordos de delação, vazados de forma seletiva, parcial e provavelmente ilegal que alimentam um mercado de busca por benefícios penais e manchetes sensacionalistas”.

O advogado José Roberto Batochio, que defende Antônio Palocci, negou relação do ex-ministro com as afirmações do delator. “Lava Jato ou Encheu o Jato? O ex-ministro Palocci nunca tratou de tal assunto, dele não teve conhecimento algum, e sequer sabia que existisse. Jamais conversou com o indigitado cidadão angolano Manuel Domingos Vicente, a quem não conhece nem se lembra de com ele haver estado, em qualquer época”, disse em nota. Batochio afirmou que esta é a “quinta ou sexta tentativa de ligar, a todo custo, o nome do ex-ministro Palocci à chamada operação Lava Jato”. “Que na verdade já está precisando mudar de nome…”

Com informações do ESTADÃO/Foto: Divulgação