Camaçari: Polícia instaura inquérito para apurar incêndio em farmácia

As causas da explosão, seguida de desabamento e incêndio, de uma farmácia no Centro de Camaçari pode ter sido causada por um vazamento de gás. O acidente que provocou a morte de nove pessoas e deixou outras 14 feridas ocorreu na tarde de ontem (23), em uma das redes da Farmácia Pague Menos. Um inquérito foi instaurado pela 18ª Delegacia Territorial para apurar as causas do acidente.

De acordo com a delegada Thaís Siqueira, titular da 18ª Delegacia Territorial (DT/Camaçari), uma funcionária do estabelecimento foi ouvida na manhã de hoje (24) e deu informações detalhadas sobre os minutos que antecederam a explosão, ocorrida durante uma obra, que vinha sendo realizada há pelo menos 30 dias, no mezanino da farmácia.

“No momento que ocorreu a explosão tinha várias pessoas na loja e ouviu um barulho com e explosão e fogo. Uma nova perícia no local será feita novamente para tentar chegar às causas. Já se sabe que foi através de gás, mas só o laudo vai confirmar, mas ainda está muito cedo”, afirmou a delegada em entrevista ao programa Baiana no Ar.

Ainda segundo a delegada, a testemunha disse à polícia que almoçava no andar superior do prédio com outros três colegas enquanto operários trabalhavam no local. Segundos depois de deixar o mezanino, para assumir o caixa da loja, onde pelo menos 12 pessoas aguardavam na fila para serem atendidas, a mulher disse que ouviu a explosão e viu parte da estrutura desabando e o fogo se alastrando pelo local.

Ainda de acordo com a delegada, mais testemunhas serão ouvidas, incluindo proprietários do imóvel e representantes da farmácia. “Foi instaurado o inquérito policial para apurar as circunstâncias e os responsáveis. Se a empresa contratada para fazer o reparo, a reforma se é legalizada, quem são as pessoas que deram causa ou agiram por negligência, mas ainda é muito cedo”, reiterou.

coletiva
Foto: Polícia Civil

O Departamento de Polícia Técnica (DPT) informou, em entrevista coletiva na tarde de hoje, que os peritos do Instituto de Criminalística Afrânio Peixoto trabalharam durante toda a madrugada no local recolhendo vestígios que ajudem a elucidar o ocorrido. “O trabalho da perícia ainda não terminou. Retornaremos ao local nos próximos dias. Mas já foi possível determinar que houve uma explosão seguida de incêndio e de desabamento”, enfatizou Eduardo Rodamilans.

Já o diretor do Instituto Médico Legal (IML), o perito médico legal Mário Câmara, informou que até o momento sete dos nove corpos levados ao IML são do sexo feminino. O oitavo não pôde ter o sexo determinado e um ainda não havia sido examinado. “Todos estão muito danificados pelo fogo e apresentavam sinais de traumas internos e externos provocados pela explosão ou por objeto contuso”, explicou.

O perito alertou que a identificação das vítimas não deve ser um processo rápido. Apenas uma das vítimas conseguiu ser identificada pela IML. Tatiane Ribeiro Mendes, de 34 anos, que já teve o corpo liberado pela família, na tarde de hoje (24). Os outros corpos deverão ser identificados pelo mesmo processo quando for possível recuperar as digitais ou por meio de exames de DNA.

Incêndio

As chamas atingiram uma das lojas da rede Pague Menos, localizada no centro da cidade e começaram por volta das 13h30. Ainda segundo a Central de Polícia, o teto da loja desabou  por conta do incêndio. Segundo testemunhas, o fogo teria sido causado pela explosão de gás que estava no interior do estabelecimento.

Os feridos foram socorridos por uma ambulância do Samu e encaminhados para o Hospital Geral de Camaçari e para a Unidade de Pronto Atendimento da Gleba A. As vítimas em estado grave foram transferidas para o Hospital Geral do Estado em Salvador.

Oito corpos de vítimas que morreram durante a explosão ocorrida estão no Instituto Médico Legal (IML) de Salvador, segundo informações do portal G1. Dezenas de parentes e amigos estiveram no local durante toda a manhã desta quinta-feira em busca de informações sobre as pessoas que estão desaparecidas. Segundo informações do IML, todos os corpos que chegaram à sede do órgão na noite do acidente estavam carbonizados, o que dificulta a identificação das vítimas.