Falta rede de esgoto em 20 mil domicílios da capital

    O mau cheiro e a constante presença de mosquitos e ratos fazem parte do dia a dia da diarista Cleonice Marques Souza, 41, que reside há sete anos na Rua Direta de Pituaçu, no bairro de Nova Sussuarana.

    Os dejetos oriundos da casa da diarista não passam por nenhum tipo de tratamento e deságuam em um riacho  que corta a rua principal do bairro.

    A residência de Cleonice é apenas uma entre os 20 mil domicílios da capital baiana que não estão ligados à rede de esgoto, de acordo com levantamento elaborado pelo Instituto Trata Brasil – organização não governamental que se dedica a estudos relacionados ao saneamento básico no país.

    Lei

    O estudo aponta que oito anos após a aprovação da Lei Federal nº 11.445, de 2007 (que garante a todos os domicílios, urbanos ou rurais, ter disponível o acesso aos serviços de água, esgoto, resíduos), parte da população ainda não tem acesso ao saneamento básico.

    A realidade da diarista é compartilhada por  cerca de 30  vizinhos que precisam driblar o esgoto que corre a céu aberto para executar tarefas simples, como sair da própria casa.

    “Construímos por conta própria uma pequena ponte para atravessar o esgoto, sem precisar estar em contato com a água suja. Todo mundo da rua já ficou doente várias vezes por causa da água suja e dos mosquitos”, lamentou Cleonice.

    Ociosidade

    Além dos problemas ambientais causados pela carência de um sistema de esgotamento universal, a ONG aponta ainda como grave a  ociosidade das redes de esgoto da capital.

    O problema pode ser observado em locais onde há disponibilidade da infraestrutura, mas que, por diversos motivos, não estão conectados à rede.

    A situação, de acordo com o levantamento, decorre de fatores como a falta de capacidade de pagamento, a cultura de não pagar o esgoto, a pouca valorização por parte da população da necessidade de tratamento de esgoto e da ausência de programas de estímulo à interligação.

    “Apesar dos esforços dos governos e dos prestadores de serviços, os investimentos em esgotamento sanitário acabam não tendo a eficácia em função da resistência dos usuários em se interligar às redes coletoras”, informou o estudo.

    Embasa

    Em nota, a assessoria de comunicação da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) informou que Salvador conta hoje com índice de cobertura do esgotamento sanitário de 83%. “A Embasa trabalha constantemente para expandir esses números, realizando uma média de 2.300 novas ligações de esgoto por mês na capital baiana”.

    De acordo com o órgão, entre os principais desafios para o alcance da universalização estão problemas relacionados ao uso e  ocupação do solo urbano, além de deficiência na infraestrutura básica.

    Nova Sussuarana

    Sobre a situação de Nova Sussuarana, o órgão informou que 90% da Rua Direta de Pituaçu é atendida com rede de esgotamento. “No trecho restante, situado em área de forte declive, não foi possível realizar a extensão da rede em decorrência de deficiências de infraestrutura básica”.

    Com informações A TARDE