Catta Preta diz se sentir perseguida e intimidada por membros da CPI

A advogada Beatriz Catta Preta, responsável por firmar nove dos 22 acordos de delação premiada realizados na Operação Lava Jato, relatou em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, ter deixado os casos relacionados ao esquema de corrupção na Petrobras por ter sido alvo de ameaças. De acordo com ela, decidiu abandonar a advocacia para garantir a segurança da família e dos filhos. “Decidi encerrar minha carreira na advocacia. Fechei o escritório”, confirmou a advogada, que relatou que as ameaças vieram de “integrantes da CPI da Petrobras, dos que aprovaram” sua convocação no início do mês.

Na semana passada, a criminalista anunciou que deixaria os casos ligados à Lava Jato, depois de vir à tona o depoimento em que o lobista Júlio Camargo, seu cliente, afirmou ter pago US$ 5 milhões em propina para o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Questionada, a advogada disse não poder afirmar que ameaças partiram do presidente da Câmara.

Ao Jornal Nacional, a advogada disse receber “ameaças veladas” e um “constrangimento incessante”. “Infelizmente pela questão de segurança e pela questão da proteção eu tomei essa decisão”, afirmou. Segundo ela, as ameaças não foram diretas.

Ela nega que tenha deixado o País para Miami ou “fugir” do Brasil, disse que estava apenas passando férias nos Estados Unidos. “Nunca cogitei sair do País”, disse. Beatriz Catta Preta afirmou ainda que é “absurdo” o valor de mais de R$ 20 milhões que dizem que ela teria recebido pelas delações da Lava Jato. “Não chega perto da metade disso”, afirmou. Segundo ela, todos os valores recebidos pelo escritório foram declarados. “A vida financeira do escritório e minha vida financeira são absolutamente corretas, nunca recebi um centavo fora do Brasil”, disse.

Com informações do ESTADÃO/Foto: Reprodução- TV Globo