Sérgio Moro aceita denúncia contra esposa de Eduardo Cunha por conta secreta na Suíça

A mulher do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, se tornou ré na Operação Lava Jato proposta pelo Ministério Público Federal (MPF). O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba acatou a denúncia oferecida pelo órgão contra Cláudia Cruz por manter contas secretas de forma ilegal na Suíça, sem declaração à Receita Federal. O processo de Cláudia foi desmembrado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Procuradoria-Geral da República, por não deter foro privilegiado por prerrogativa de função.  A declaração da conta só foi realizada após o surgimento da denúncia.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Cláudia Cruz tinha plena consciência dos crimes que praticava e é a única controladora da conta em nome da offshore Köpek, na Suíça, por meio da qual pagou despesas de cartão de crédito no exterior em montante superior a US$ 1 milhão num prazo de sete anos, entre 2008 e 2014.

As investigações apontam que o valor é totalmente incompatível com os salários e o patrimônio lícito de seu marido. “Quase a totalidade do dinheiro depositado na Köpek (99,7%) teve origem nas contas Triumph SP (US$ 1.050.000,00), Netherton (US$ 165 mil) e Orion SP (US$ 60 mil), todas pertencentes a Eduardo Cunha”, afirma o MPF.

As contas de Cunha escondidas no exterior, ainda de acordo com o MPF, eram utilizadas para receber e movimentar propinas, que eram produtos de crimes contra a administração pública praticados por ele.

As investigações apontam que “por meio da mesma conta Köpek, a acusada também se favoreceu de parte de valores de uma propina de cerca de US$ 1,5 milhão que seu marido recebeu para “viabilizar” a aquisição, pela Petrobras, de 50% do bloco 4 de um campo de exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011″.
Com informações do G1