A partir do dia 1º de abril, a Defesa Civil de Salvador entrará em alerta 24 horas, para atender possíveis ocorrências relacionadas ao período chuvoso da capital baiana que segue até o fim de junho. A Operação Chuva foi anunciada hoje (16) pela prefeitura de Salvador, que anunciou, dentro da operação, a Estratégia Resiliência, conceito adotado por outras cidades do mundo e prevê a busca pela capacidade de se adaptar ou enfrentar as dificuldades.
“Eu diria que este ano a gente entra mais preparado do que os anos anteriores, por conta deste trabalho de prevenção e planejamento que não pode ser feito apenas nos meses da operação chuva. Temos de abril a julho o momento mais crítico, mas a gente encara a questão da chuva o ano inteiro, nos 12 meses”, disse o prefeito de Salvador, ACM Neto, que destacou a possibilidade de extensão da operação, caso haja necessidade.
A Defesa Civil de Salvador (Codesal) informou que, atualmente, a cidade tem cerca de 600 áreas de risco de desabamento ou deslizamento que podem ser provocados por chuvas constantes, devido à existência de encostas. Entre estas áreas, as regiões de Calabetão, Mamede, Liberdade de São Caetano, Bom Juá são destaques do diretor-geral da Codesal, Gustavo Ferraz.
“Durante a Operação ficaremos de prontidão para a necessidade da população. Todo o sistema fica em alerta. É evidente que, quando a chuva chega, aumenta a demanda e temos de ter o contingente todo à disposição da cidade para gerenciar esta crise”, comentou Ferraz, a respeito do alerta de 24 horas, a partir do mês de abril.
Com a operação foi anunciada inovações tecnológicas na prevenção e resposta a possíveis ocorrências. Segundo a prefeitura de Salvador, os recursos administrativos, tecnológicos e gerenciais foram incorporados desde 2015, mas este ano serão utilizados em escala máxima.
Apesar de recursos utilizados em anos anteriores, em 2017, as encostas de Salvador serão monitoradas por sensores. A tecnologia é considerada pioneira e foi desenvolvida no Rio Grande do Sul. Na capital baiana, o projeto piloto será testado na localidade de Bom Juá, área considerada pela Defesa Civil de “alto risco geológico”. O monitoramento online será feito em tempo real e permitirá o controle do volume de chuva, e se o terreno registra algum tipo de movimentação que pode acarretar em deslizamento ou desmoronamento.
Além dos sensores, outras tecnologias farão parte da Operação Chuva, a exemplo do programa de computador que permite a visualização gráfica de dados meteorológicos e de terrenos, além do uso de pluviômetros automáticos. Neste ano, serão 38 unidades instaladas em Salvador, 23 a mais que em 2016.
Com medidas preventivas a cidade vem recebendo ferramentas e instalações que podem evitar danos às famílias que vivem em locais de risco. Entre as encostas, 200 casas passam pelo processo de troca de lonas de contenção e geomantas, em 68 áreas de risco. No Centro Histórico, passarão por vistorias 240 casarões antigos, com estruturas condenadas.
Apesar da tecnologia e investimento na Operação, o prefeito ACM Neto destacou que todo o suporte não tem eficácia sem a colaboração dos moradores, que devem permanecer atentos a qualquer sinal de alerta, e evitar o descarte de lixo e entulho em locais inapropriados.
