Em entrevista, Cristovam Buarque defende reforma política e saída de Temer

Autor do projeto que garante a extinção do fundo partidário para o financiamento de campanhas políticas, o senador do distrito federal Cristovam Buarque (PPS), defendeu em entrevista ao programa Baiana Livre desta segunda-feira (24), que as campanhas eleitorais devem ser custeadas por militantes e simpatizantes dos partidos e não com recursos públicos. De acordo com o senador, a são de caráter privado, mas com interesses públicos.

“Os partidos viveriam dos seus simpatizantes, como as igrejas que são entidades privadas com interesses públicos. Porque o estado com o dinheiro seu vai financiar um partido que você não gosta? Porque é com o dinheiro do povo que o fundo financia os partidos, assim como  da mesma forma que eu também sou contra a contribuição sindical. Não é justo uma entidade privada, mesmo que politica, ser financiada com o dinheiro do povo.  Esse dinheiro faz falta, estamos falando em três bilhões de reais. Ninguém me disse de onde está saindo o dinheiro do fundo partidário, então não posso ser a favor”, afirmou.

Durante a entrevista, o senador defendeu que o congresso aprove a reforma política ainda neste ano para entrar em vigor nas eleições de 2018. ele apontou algumas mudanças na proposta, entre elas, o voto distrital irá abranger novos candidatos que estarão ingressando na carreira politica, além de reduzir custos com as campanhas eleitorais e a proibição do marketing das campanhas.

“É preciso reduzir o custo da campanha. Acredito que não é possível que o Brasil tenha campanhas com o custo por voto maior que os países da Europa. Eu sou favorável ao voto do distrital misto. O estado da Bahia fica dividido em distritos, sendo metade dos votos dos deputados eleitos em distritos e metade no voto estadual para poder manter o discurso ideológico de votos espalhados. É necessário acabar com o marketing da campanha. Eu até me pergunto em tempos de internet manter o horário eleitoral. Hoje a campanha eleitoral é caríssima porque parte vai para o marqueteiro e os advogados diante do caos eleitoral”, explicou o senado.

Educação

Buarque também criticou o Sistema Educacional Brasileiro, alegando que o atual sistema de ensino precisa de ajustes. Para ele, a baixa representatividade no congresso e a desigualdade social é resultado do processo educativo do país.

“Na verdade a educação é distribuída de forma desigual entre pobres e ricos e entre brancos e negros. Acredito que no dia que escola do pobre for igual a do rico, que o filho do trabalhador estudar na mesma escola do filho do patrão, a gente irá quebrar muito isso ai. O problema de tudo no Brasil está na base, que é o ensino básico, na perversidade do sistema educacional que proíbe o pobre de estudar. Existe uma proibição que as 540 escolas federais públicas gratuitas, para entrar nelas precisa fazer concurso, mas ai só entra os filhos dos doutores porque tem o pai cuida mais e tem mais livros para estudar. Nós nos viciamos em uma ideia que quando nasce uma criança, o futuro dela está definido pelo CEP ou CPF”, criticou.

Temer

O socialista declarou ser a favor do impeachment do presidente Michel Temer (PMDB) e defendeu novas eleições. “Eu votaria para sair porque ele se desgastou demais com esses erros, mas sobretudo, ele não tem a menor consideração de convencer a opinião pública das coisas boas que ele tenta fazer. Ele despreza o povo e só pensa no congresso. Ele também fez uma coisa absurda, onde a gente tinha delação premiada, agora tem voto premiado. Isso não é possível, é como se você premiasse um juiz. Eu creio que o Temer na politica terminou sendo que a Dilma precisa sofrer impeachment, porque ele era a pedalada de Dilma”,  opinou.

Candidatura

Sobre uma eventual candidatura à presidência, Cristovam não descartou seu nome para concorrer à vaga no executivo federal. O senador afirmou que seu nome surge como uma alternativa para a corrida presidencial. 

“Eu não vou colocar agora, mas se o partido me quiser, não vou fugir. Eu não irei fugir até porque tem alternativas que me assusta muito. É uma alternativa de segundo turno onde dos dois discursos serão olhando mais para o passado do que para o futuro. Qualquer que seja dos que estão lá dentro, seja Lula ou o Bolsonaro que é o pior de todos, onde não podemos aceitar, pois é uma excrecência na democracia, seja Alkmin. Então é preciso ter alguém que carregue um discurso voltado para o futuro. Se meu partido colocar meu nome, eu vou, mas não irei ficar preiteando ou brigando”, finalizou.