A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira (23), o ex-chefe da Casa Civil do Rio Régis Fichtner e o empresário Georges Sadala. A operação, que é mais uma fase da Lava Jato no Rio, foi batizada como C’est fini, que em francês significa “é o fim”. O nome seria uma alusão ao fim das Farra dos Guardanapos, que é como ficou conhecido um jantar em Paris do qual participaram ex-secretários do Rio, empresários e o ex-governador Sérgio Cabral. Em fotos tiradas durante o jantar, eles usavam guardanapos na cabeça.
A ação desta quinta-feira é um desdobramento das investigações da Operação Calicute, desencadeada em novembro do ano passado e que resultou na prisão de Sérgio Cabral. Além de Fichtner e Sadala, ainda estão sendo cumpridos outros três mandados de prisão, sendo dois para o mesmo suspeito. Os agentes também visam cumprir mandados de condução coercitiva – que é quando a pessoa é levada para depor – e de busca e apreensão.
Os agentes chegaram ao endereço de Fichtner, na Barra da Tijuca, por volta das 6h. O ex-chefe da Casa Civil é suspeito de receber propina no valor de R$ 1,6 milhão. Ele acompanha ex-governador há muito tempo, desde que Cabral foi presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e foi seu suplente no Senado.
O empresário foi preso em julho de 2016 na Operação Saqueador e desde agosto do ano passado está em prisão domiciliar. Em agosto desse ano, ele prestou depoimento ao juiz Marcelo Bretas e admitiu que, de fato, pagou 5% de propina em dinheiro para o ex-governador para que a Delta participasse da reforma do Maracanã. A PF e o MP investigam a participação dele para que a Delta vencesse licitações para a reforma do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) e de obras no Rio Tietê, em São Paulo.
Georges Sadala é um dos empresários que também aparece na foto da “Farra dos Guardanapos”. Sadala era um dos sócios de empresas que administrava o serviço Rio Poupa Tempo e também era representante de um banco que fazia empréstimos consignados para servidores públicos. Ele é conhecido por ser uma pessoa muito leal ao ex-governador Cabral. Ele foi preso em casa em um prédio luxuoso da Avenida Vieira Souto, em Ipanema.
Quem mora no mesmo prédio é Alexandre Accioly, empresário que é dono de uma rede de academias, que vai ser intimado a depor. Ainda não se sabe qual é o tipo de ligação que Acioly tem com o esquema de corrupção que o Ministério Público investiga.
Régis Fichtner foi citado no depoimento de Luiz Carlos Bezerra, um dos operadores financeiros do esquema criminoso. Bezerra disse aos procuradores da Lava Jato que deu dinheiro para o ex-chefe da Casa Civil. Nas anotações do operador, Fichtner era conhecido como “Alemão” ou “Gaúcho”.
