Governo punirá ‘traições’ na PEC do Teto

Os integrantes da base aliada que votaram contra a aprovação do projeto de emenda constitucional (PEC) que limita o crescimento dos gastos públicos devem ser punidos pelo governo. Apesar de o discurso oficial não falar em retaliação, o Planalto já elabora um mapa dos “traidores” que podem ser punidos com retirada de cargos, emendas e diminuição de espaço no governo, de acordo com interlocutores do presidente. A ameaça de represália do governo chegou a lideranças da Câmara com o recado de que os deputados serão tratados “de forma proporcional ao voto”. A avaliação no Planalto é de que cerca de 15 deputados precisam dar justificativas para terem se ausentado ou votado contra o governo, já que o próprio Temer se envolveu pessoalmente nas negociações para aprovar a PEC que pretende tornar uma “marca e um legado” de seu governo. “Não podemos fingir que nada aconteceu, pois essa era ‘a votação’, a marca e o símbolo do governo”, observou um interlocutor.Ao aproveitar o embalo da aprovação do projeto, com expressivo placar, a equipe de Temer vai cobrar coesão da base aliada a fim de tentar acelerar a agenda de votações de interesse do Palácio do Planalto no Congresso. O discurso é de que os aliados precisam estar afinados com o governo para se preparar para a “batalha” da reforma da Previdência, considerada a mais polêmica delas. Nessa negociação, o Planalto pretende também agradar os que votaram a favor, acelerando nomeações de apadrinhados dos parlamentares.A avaliação de aliados do presidente é que, por mexer diretamente com a vida do cidadão, haverá uma resistência maior às mudanças na Previdência, que têm de andar até o final do próximo ano, sob pena de naufragar em 2018, ano eleitoral. A oposição no Congresso, desarticulada na discussão da PEC do Teto também se prepara para um embate mais duro em relação a essas mudanças.